(*) Wan Yu Chih, maio de 2026.
No transporte coletivo, os custos de pessoal nem sempre estão onde parecem.
A lógica operacional do transporte público desafia qualquer comparação direta com os modelos de jornada encontrados em escritórios, comércios ou fábricas. Nestes, a demanda tende a ser relativamente uniforme ao longo do dia. Já no transporte coletivo, o fluxo de passageiros oscila intensamente, com picos concentrados e vales acentuados com um comportamento que muda conforme o dia da semana.
Essa dinâmica faz com que cada veículo tenha uma programação diária única, com diferentes horários e sequências de viagens. Como consequência, surgem serviços de motoristas com durações bastante distintas: alguns longos, outros curtos, alguns concentrados nos horários de pico e outros distribuídos ao longo do dia.
Em um cenário ideal — sem restrições de jornada, limites de horas trabalhadas, intrajornada ou adicionais — bastaria remunerar os motoristas pelas horas efetivamente trabalhadas. Todas as combinações possíveis de viagens seriam equivalentes em termos de custo de mão de obra.
Na prática, porém, o grande desafio está nos horários de pico, que exigem um número elevado de operadores em períodos relativamente curtos. A questão central passa a ser: o que fazer com eles nos intervalos de menor demanda, sem gerar custos excessivos com horas improdutivas?
Quanto mais rígido é o acordo trabalhista, menor é a capacidade de construir uma programação eficiente. A rigidez reduz drasticamente o número de combinações viáveis entre viagens, limita a flexibilidade operacional e aumenta o desperdício de horas pagas sem utilização efetiva.
Por isso, a flexibilização da jornada é um elemento essencial para destravar eficiência e reduzir custos. Ao permitir maior maleabilidade nas durações das partes do serviço, nas pausas e na intrajornada, ampliam-se significativamente as possibilidades de combinação na programação diária de veículos e tripulações. Essa flexibilidade permite encaixar operadores de forma mais eficiente nos diferentes períodos de demanda.
Em resumo: otimizar a relação entre oferta, tripulação e custo exige modelos de jornada mais aderentes à realidade operacional do transporte coletivo. Quando bem estruturada, a flexibilidade transforma o custo de pessoal de obstáculo operacional em vantagem competitiva, garantindo que o número adequado de motoristas esteja disponível exatamente quando o passageiro mais precisa.
Em um setor onde cada minuto importa, compreender essa dinâmica é vital. A qualidade da programação não é apenas um desafio matemático — é um fator estratégico para a sustentabilidade das empresas de transporte.
(*) O autor é diretor de negócios da WPLEX Software, empresa catarinense que atua há mais de 25 anos no desenvolvimento de soluções inteligentes de planejamento operacional para transporte público.
A WPLEX é uma empresa catarinense líder em soluções inteligentes para o planejamento e otimização da operação de transporte público. Temos orgulho de ajudar a movimentar milhões de pessoas diariamente em todo o Brasil, reafirmando nosso compromisso com a eficiência que move pessoas.
